Ritchie Blackmore

Tá chegando mais um inglês na área: Richard Hugh Blackmore, mais conhecido como Ritchie Blackmore, nasceu em Weston-Super-Mare, na Inglaterra, em 14 de abril de 1945 e ficou mundialmente famoso ao criar e participar da banda Deep Purple e do grupo Rainbow.

Quando Ritchie tinha dois anos de idade seus pais mudaram para a cidade de Heston e ao completar dez anos seu pai lhe deu um violão, começando então a aprender violão clássico. No início ele não tinha talento e demorava muito para aprender, fazendo com que seu pai perdesse a paciência e aos 13 anos ele ouviu: “...se você não progredir com as aulas vou quebrar este violão na sua cabeça.”

Ritchie evoluiu e no início dos anos 60 tocou em algumas bandas como Heinz & Wild Boys, Screaming Lord (por onde passaram Alice Cooper, Jimmy Page e Tom Jones) e The Outlaws.

Em abril de 1968, junto com Rod Evans (vocal), Nick Simper (baixo), Jon Lord (teclados) e Ian Paice (bateria), Ritchie fundou a banda Deep Purple, nome dado em homenagem à avó dele que gostava de uma música com esse mesmo nome. Desta época vale a pena conferir o disco Shades of Deep Purple, único com esta formação e com clássicos do rock como Hush, de Joe South, que se tornou o primeiro sucesso da banda, além de músicas como Hey Joe de Jimi Hendrix e Help dos Beatles.

Logo em seguida, em 1969, Rod e Nick deixam a banda para a entrada de Ian Gillan nos vocais e Roger Glover no baixo. A “química” entre Blackmore e Gillan é perfeita e o primeiro álbum é lançado, chamado In Rock traz um som mais pesado, revolucionando o estilo da banda. Ritchie disse, na época, que o vocal de Gillan era como gritos profundos com uma pegada blues. Deste disco é impossível não citar as músicas Speed King e Black night. Em 1971, depois de terminada uma turnê nos EUA junto com o grupo The Faces (Rod Stewart), a banda lança o álbum Fireball.

Mas é em 1972 que a banda lança o disco Machine Head, considerado até hoje um dos maiores e melhores discos de rock de todos os tempos. Clássicos como Smoke on the water, Space truckin’, Lazy e Highway star levaram o disco ao topo das paradas tanto nos EUA como na Inglaterra. O álbum foi gravado no estúdio móvel dos Rolling Stones, em Montreaux, na Suíça. A idéia original era gravar em um cassino, também em Montreaux, mas na noite anterior da gravação houve um show do Frank Zappa (com o Deep Purple na platéia) onde alguém do público soltou um sinalizador provocando um incêndio que destruiu o local. Foi deste episódio que saiu a letra de Smoke on the water, música que tem o riff de abertura considerado por muitos como o mais distinto e original já gravado.

A seqüência de Machine Head foi uma turnê de 44 semanas que resultou no disco ao vivo Made in Japan, lançado em 1973. Neste mesmo ano saiu o álbum Who do we think we are? e também saíram da banda Ian Gillan e Roger Glover, entrando David Coverdale nos vocais e Glen Hughes no baixo.

Em março de 74 esta formação lançou o disco Burn no qual o virtuosismo instrumental de Blackmore alcançaria um de seus pontos mais altos. Foi também neste ano que a banda participou, junto com Eagles, Black Sabbath e outros, do Califórnia Jam, um concerto transmitido pela TV que foi notório pelo seguinte fato: no momento do Deep Purple se apresentar Ritchie Blackmore se trancou no camarim recusando-se a subir no palco porque teria que tocar antes do horário combinado, o que atrapalharia os efeitos luminosos preparados pela banda. O canal ABC, que estava transmitindo ao vivo, chamou o xerife da cidade para levar Ritchie preso e então ele teve que subir no palco. Entretanto, durante o show, com muita raiva ele quebrou uma das câmeras que filmavam o evento e logo em seguida a sua pilha de amplificadores explodiu queimando o palco!

Após o susto, ainda em 74, foi lançado o álbum Stormbringer que atingiu a 20ª posição na parada americana.

Em abril de 1975 Ritchie deixou o Deep Purple por não concordar com as tendências musicais dos outros músicos e acabou criando o grupo Rainbow, com Ronnie James Dio (vocais), Craig Gruber (baixo), Gary Driscoll (bateria) e Mickey Lee Soule (teclados). O som do Rainbow era diferente, suas melodias eram inspiradas na era medieval e as letras de Dio falavam de castelos, reis e espadas. O primeiro álbum lançado foi Ritchie Blackmore’s Rainbow, depois veio Rainbow rising e On stage, disco ao vivo já com Cozzy Powel na bateria.

Em 1978 Dio deixa o Rainbow para assumir os vocais no Black Sabbath e Ritchie troca toda a banda chamando o vocalista Graham Bonnet, o ex-Deep Purple Roger Glover no baixo e Don Airey nos teclados, resultando no álbum Down to earth, produzido por Roger Glover, que foi o responsável por sucessos como All night long e Since you been gone. Esta formação ainda participou do primeiro Monsters of Rock, realizado no Castelo de Donington, na Inglaterra.

Em Difficult to cure, de 1981, mais mudanças: saiu Cozzy Powel e entrou Bobby Rondinelli na bateria e entrou Joe Lynn Turner nos vocais no lugar de Bonnet. O som da banda ficou mais comercial e começou a perder fãs. Em 84 Ritchie e Glover foram convidados a voltar para o Deep Purple e em 1985 foi lançado o disco Perfect strangers com a formação original: Ian Gillan (vocais), Ian Paice (bateria), Jon Lord (teclados), Roger Glover (baixo) e Ritchie Blackmore (guitarras). O retorno foi um sucesso, com uma turnê iniciada na Nova Zelândia e um único show na Inglaterra, para mais de 80 mil pessoas!

Em 1989, devido a “diferenças musicais” Ian Gillan deixa o grupo e Ritchie chama o ex-Rainbow Joe Lynn Turner para os vocais, lançando o disco Slaves & Masters, em 1990, e dividindo opiniões entre os fãs do Deep Purple. Mesmo assim Ritchie disse que o disco havia sido o melhor trabalho do Rainbow que o Deep Purple poderia ter feito!

Em 1993, Ian Paice e Jon Lord convencem Blackmore a chamar Ian Gillan novamente e assim gravam o álbum The battle rages on que tem um dos melhores arranjos da banda, a faixa título The battle rages on. Durante a turnê deste disco a relação entre Gillan e Blackmore chega ao limite e Ritchie abandona o grupo e promete nunca mais voltar! A conclusão da turnê no Japão foi feita pelo guitarrista Joe Satriani e depois quem assumiu de forma definitiva a guitarra foi Steve Morse.

Ritchie ainda voltou com o Rainbow que durou até 1997, quando conheceu a vocalista Candice Night e montou a banda Blackmore’s Night, lançando o álbum Shadow of the moon. Candice, além de ser cantora lírica tornou-se companheira de Ritchie e estão juntos até hoje com o Blackmore’s Night, fazendo música de estilo renascentista!

Polêmico, problemático, excêntrico, maluco, chato, lunático, competente e profissional. Estes são alguns dos adjetivos que se aplicam a Ritchie Blackmore, que em seu site cita seus guitarristas preferidos: Jeff Beck e Eric Johnson e também cita os solos de guitarra favoritos: Stone free (Hendrix), Shapes of things (Jeff Beck), I feel free (Clapton), Bye Bye Blues (Les Paul) e Too much (Elvis e Scotty Moore na guitarra).
Valeu!!!



(Ernesto Wenth Filho)